Pôsters Mostra de Iniciação Ciêntifica

Agradecemos ao amigo Tarso Oliver Heckler pela confecção dos pôsters do grupo "Arte, Sentido e História", expostos na Mostra de Iniciação Ciêntifica da Universidade de Passo Fundo.

Destaque melhor pôster Júri Popular: 
Bruna de Oliveira Bortolini com o trabalho: O Kitsch e a História da Arte: a falsa promessa de felicidade ao alcance das mãos.

Para conferir, acesse a página "Trabalhos Já Apresentados" utilizando o navegador Mozilla Firefox:

http://arteesentido.blogspot.com/p/inscricoes-de-trabalhos.html

Poemas de Tinta: O espírito da arte em Michelangelo


O drama épico “Agonia e Êxtase” narra a história de Michelangelo – artista marco de uma época de transição da arte renascentista para o maneirismo, com fortes influências de ideais humanistas e expressões universais da experiência do trágico, do belo e do sublime – em seu turbulento desafio de pintar o teto da Capela Sistina. A película possibilita inúmeros debates a respeito da relação entre arte e história. 
O nome do filme revela o dueto entre a vida que produz arte (o artista) e sua obra. A inspiração como graça divina, na concepção cristã, é destacada em diversas passagens. Exemplo disso é a famosa cena onde o pintor “vê” nas nuvens a estrutura do que virá a ser o tema central do esforço artístico. 

O artista teve a tarefa de imaginar e/ou interpretar as passagens bíblicas, de modo que representasse fielmente uma narrativa. A pintura da Capela Sistina cria um vínculo da narrativa sagrada com o mundo, pois representa o objeto transcendente e, consequentemente, possibilita a sua estadia no mundo perceptivo. 

O filme explora o drama do processo de criação da arte, germinada dentro de um contexto em que autor estava inserido. Para o artista, especialmente na escultura, a sua concepção era a de fazer brotar, “lapidar”, tirar de um material seco um objeto quase vivo. Ao fazer despertar aquilo que dentro do mármore adormece, o artista descobre as potencialidades do material e as equilibra com a ideia que precede a obra. Imprevistos ou imperfeições na matéria prima disponível, não são motivos para que o material torne-se descartável. Desta maneira, o artista adapta a idéia às condições existentes, o que torna a obra de arte algo imprevisível. Ele imita a realidade, não a reproduz, trazendo à tona um fato, que apesar de não ser a verdade em si, é verossímil.

REFERÊNCIA:
AGONIA e êxtase. Direção: Carol Reed. EUA: International Classics, Twentieth Century-Fox Film Corporation, 1965. 1DVD.

 


Álbum de Família: jantar vegano no Solar do Poente.
Bambu e torta de chocolate: uma explosão de sabores!!!

http://arteesentido.blogspot.com/p/album-de-familia.html

Semana Acadêmica da Filosofia


A filosofia permanentemente põe e re-põe à racionalidade a possibilidade de reflexão sobre a condição/natureza humana. A pergunta-guia, entre muitas outras, “para onde caminha a humanidade?”, remete para reposicionar o horizonte de humanização no contexto atual. A filosofia não quer oferecer todas as respostas a esta questão. Inclina-se a pôr e a manter a pergunta e a oferecer perspectivas de resposta em diálogo com outros saberes e conhecimentos. É neste espírito que a VI Semana Acadêmica da Filosofia oferece à comunidade um espaço de reflexão sobre o humano e suas possibilidades.

Inscrições pelo site: http://www.ifibe.edu.br/semana/

Local: Auditório do CET (antigo IFCH), Universidade de Passo Fundo.

Contato: 

54 3316-8330 – e-mail: filosofia@upf.br
54 3045-3277 – e-mail: ifibe@ifibe.edu.br

A natureza das obras de arte


No texto “A arte, sua natureza, sua história”, René Huyghe afirma que a arte é “indispensável ao indivíduo e às sociedades” (1986, p. 11). Ela é parte integrante de um conjunto de registros humanos que representam o avanço da humanidade. Obras de artes são, acima de tudo, testemunhas de uma época e são por elas que, segundo Huyghe “o homem aprende a conhecer-se melhor” (1986, p. 12).

Quando falamos em arte devemos considerar a enorme rede de relações que conectam a diversidade de suas formas de expressão. O ambiente no qual as obras de arte são criadas exerce um importante papel no modo como a mesma se comunica com o mundo. Uma obra de arte, após ser revelada ao mundo, torna-se independente e, uma vez introduzida na sociedade, seu impacto pode ser profundo e imprevisível, permanecendo no tempo e tornando-se referência para futuras gerações.

Huyghe (1986, p. 36) acredita que uma obra de arte, independente do contexto onde se origina, é capaz de refletir e exprimir com exatidão o homem de sua época, permanecendo viva e podendo ser interpretada por outras gerações, ainda que de outra maneira e com outro propósito. A arte mostra-se como um espelho que reflete os desejos e temores da humanidade que, por vezes, são também os sonhos, as perturbações e ideais do artista. Uma obra de arte constitui-se por um conjunto de elementos diversificados que, ao se fundirem, criam uma unidade. Uma obra depende da articulação entre fatores como: realidade exterior, materiais, técnica, possibilidades plásticas da matéria e pensamentos e sentimentos que movem o artista. Tais fatores se reforçam e opõem-se simultaneamente, assegurando o equilíbrio final da obra.

A arte por ser de natureza intrínseca às expressões humanas está comumente relacionada às intenções voluntárias e conscientes como também às impulsões experimentadas e assumidas pelo artista. A técnica e o conjunto das potencialidades plásticas da matéria permitem ao artista dar forma a tudo o que nele se impacienta, transpondo para a sensibilidade o que foi previamente desejado.



Referência:


HUYGHE, René. A arte, sua natureza, sua história. In: HUYGHE, René. Sentido e destino da arte. Vol. I. São Paulo: Edições 70, 1986.


“O menino do dedo verde”.

O grupo “Arte, sentido e história” parabeniza o grupo Ritornelo de teatro, em especial os amigos Tarso Heckler e Guto Pasini, pelo espetáculo infanto-juvenil “O menino do dedo verde”.  E, convida a todos para conhecerem a incrível história de Tistu, um menino que, definitivamente, não é como todo mundo! 
Dia: 06 e 07 de Agosto, às 16 h, no teatro do SESC – PF


A arte e sua constituição: uma possibilidade historiográfica em Argan

"O Nascimento de Vênus" - Sandro Botticelli

Ao longo da história podemos observar as diferentes formas utilizadas para ceder à arte um lugar plausível. O historiador, assim como entende Argan (2005), mais do que resgatar e transmitir o valor do feito artístico, utiliza-se da pesquisa para “objetivar”, circundar a obra, a fim de entender os fatos que possibilitaram tal fenômeno. Para isso, o autor observa “a distinção entre uma história externa, que verifica a consistência dos fatos e reúne e controla os testemunhos, e uma história interna, que encontra os motivos e os significados dos fatos na consciência de quem, de uma maneira ou de outra, os viveu.” (ARGAN, 2005, p. 14).

As obras de arte podem ser consideradas linhas mestras de desenvolvimento da civilização, determinam um campo de relações que transcendem o tempo, se auto-explicam e tornam-se referência, podendo ser estudadas historicamente. A história, de certa forma, põe ordem nos fatos, mesmo que por alto os mesmo já tenham em sua existência relações ordenadas, ela o reelabora através do discurso. Apesar de o fato e a narração distinguirem-se muitas vezes, a narração do fato carrega um valor que o fato em si não pode ter. Ela vale como experiência para o presente. A história da arte requer relações entre todos os fenômenos artísticos para existir. Seria difícil encontrarmos um fato artístico imune e distante de toda a cultura.

O almoço dos remadores - Ronoir
De acordo Argan (2005), não se pode fazer história dos fatos enquanto acontecem no presente vivido. A reconstrução histórica é posterior aos fatos, sendo importante para traçar uma perspectiva segundo um ângulo diferente. Desta maneira, a figuração dos fatos é mudada na memória e não na obra, pois a arte carrega em si uma característica atemporal e, independente do quão estiver afastada de sua época de criação, continuará carregando consigo o seu valor. O conteúdo de comunicação e os sinais de comunicação continuam presentes, possibilitando o trabalho do historiador. Em conseqüência, a arte acompanha a crítica do presente, nos possibilitando um julgamento mais justo, ganhando qualidade de interpretação.


A arte, na concepção de Argan (2005), não é um acontecimento do acaso, tampouco só diz respeito a quem a criou. Ela é tanto um acúmulo da vivência e experiência com outras obras que o autor adquiriu pelo processo inconsciente da memória-imaginação, quanto do próprio contexto, da época de sua formação.

Para analisamos uma obra, Argan (2005) salienta a importância de considerarmos duas camadas distintas. A primeira camada, a cultural, pode ser reconhecida pelas preferências artísticas da época, os conhecimentos técnicos e seus modelos convencionais de representação. Também são passíveis de verificação as normas ou tradições iconográficas; em outras palavras, o modelo simbólico que adotamos na formação gestual ou a maneira que significamos determinados objetos na comunidade em que estamos inseridos.



Na segunda camada, a mais refinada, geralmente não podemos fazer uma historiografia da arte, justamente pelo seu grau de imprecisão. Aqui a composição escapa à análise baseada nos modelos determinados, pois é a contribuição inovadora deixada pelo artista, ou seja, seu estilo.

Argan (2005), diferentemente de Arthur Danto (2006) acredita em uma linearidade ascendente do progresso artístico, porém não apenas na ordem cronológica. A arte sempre visa o presente, mas um presente enriquecido, que não se desvincula dos elementos condicionadores da formação da obra. Uma obra de arte sempre será artificial, um feito humano, pois “imita-se aquilo que não se é; se a arte fosse “natural” não imitaria a natureza” (ARGAN, 2005 p. 31). Um objeto pode pertencer a diversas classes e subclasses, de acordo com o ponto de vista adotado. Portanto, quando delimitamos um caminho (como historiadores), conseguimos estabelecer comparações e definições; o qual, com o “desmembramento” dos elementos constitutivos da obra artística, concebida como heterogênea pelo autor, nos possibilita investigá-la.

Referências:

ARGAN, Giulio Carlo. História da arte como história da cidade. Tradução: Pier Luigi Cabra. 5 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005.

DANTO, Arthur C. Após o fim da arte: a arte contemporânea e os limites da história. São Paulo: Odysseus Editora, 2006.

História da arte como história dos registros humanos

“O senso de humanidade ainda não me deixou”

(Imannuel Kant.)



No decorrer das sessões do grupo de estudos, foram abordadas questões relacionadas à história da arte sob o olhar de diferentes estudiosos como, por exemplo, Arthur Danto e Antônio Pinelli. Ao darmos continuidade a esses estudos, tomamos como referência o crítico e historiador da arte Erwin Panofsky, que busca mostrar em seu livro “Significado nas artes visuais” de que forma o historiador lida com registros sobre arte, considerando que a mesma carrega em si processos subjetivos e por vezes irracionais, característica tipicamente humana.

O termo humanidade nos remete à consciência do homem em relação a princípios e valores que ele próprio constrói para viver em sociedade. Esta característica o diferencia do ser divino e do bruto, considerando o divino como um valor e o bruto uma limitação. O homem está mergulhado num duplo: de um lado temos a consciência de nossas capacidades intelectuais e criativas, do outro a certeza de nossas fraquezas e finitude.

O homem é o único animal que deixa registros, que sabe separar símbolos de seu significado e estabelecer relações entre os mesmos. E é de fato essa consciência que o leva a tentar compreender o passado buscando respostas que contribuam para a compreensão da realidade.



Esses registros geralmente são estudados pelos humanistas como, por exemplo, o historiador, que, diferentemente do cientista, não usa os registros apenas para analisar fatos históricos, mas leva em consideração a relação humanística na constituição desses fatos. Os registros, enquanto analisados por um historiador, precisam ser datados e contextualizados para que, ao serem examinados e coordenados possam fazer algum sentido, mostrando algo relevante sobre o objeto estudado.


Segundo Panofsky (2007), no caso das obras de arte, entender o que o artista tenta expressar, deve ser interpretado a partir da própria obra, utilizando-se de um conceito histórico geral, ou seja, de uma determinada época ou movimento artístico, para após, realizar a análise dos documentos individuais. Nessa perspectiva, torna-se necessário refazer os passos da mesma de tal modo que seja contemplado não somente o viés estético, mas também seu encadeamento de símbolos e significados.


("O poeta pobre" - Carl Spitz, 1839)
Para o mesmo autor, objetos feitos pelo homem têm sempre uma intenção e podem ser divididos em duas categorias: ferramentas e comunicação. A arte apesar de também exercer alguma função pode ir além deste limite, com uma ênfase na forma, deixando de ser apenas funcional e passando a ser estética também. Quando escrevemos uma carta podemos dar ênfase para sua forma transformando-a em um poema, extrapolando sua mera função de comunicação.


O autor sustenta que o historiador deve caracterizar a pesquisa baseado nos dados fornecidos pelos registros, prestando testemunho das intenções artísticas à humanidade da forma mais imparcial possível, levando em consideração o estilo, conforme as possibilidades de tema, conteúdo e materiais disponíveis em determinada época.



Referências Bibliográficas:


PANOFSKY, Erwin. Significado nas artes visuais. São Paulo: Perspectiva, 2007.

 O grupo Arte Sentido e História agradece a participação do tatuador e desenhista Marcelo dos Santos, da cidade de Getúlio Vargas, que colaborou com a charge abaixo, ilustrando humoristicamente os nuances de nossos debates em torno da Arte.


Danto e o Fim da Arte

Uma das questões que perpassam as nossas discussões sobre arte é centrada na concepção de Danto quanto à postulação do fim da arte. Nesse ponto entendemos que o autor estudado ao observar os diferentes tempos artísticos, principalmente o moderno e o contemporâneo, acrescenta a idéia de que não podemos mais sustentar uma narrativa histórica da arte, pois esta se mostra esgotada.

O fim da arte não representa, de forma alguma, a suspensão do fazer artístico, mas de um padrão conceitual que possa abranger o que é arte, devido à nebulosidade teórica, a ausência de estilo e a “des- objetificação” da arte. Danto acredita que a arte de hoje em dia é pluralista, seus meios e critérios não são fixos para que possamos defini-la e assegurá-la como uma referência solida.

Este problema diz respeito aos impasses da definição, ou mesmo, do “alargamento” da concepção de arte pictórica. A modernidade encarregou-se da supervalorização da forma, do traço, afastando a velha “ilusão” da arte. O artista não se preocupa mais em evitar que sua arte se deixe evidenciar como imitação da natureza. A pintura não carrega mais em si a ilusão de ser outra coisa, além do que ela própria. Já o vale tudo contemporâneo proporcionou a arte grande liberdade estética, rompendo com a antiga narrativa histórica.

Quanto à ausência de estilo, Danto observa a questão de não se fazer mais uma arte espontânea, mas uma arte de mercado; ou mesmo, de retorno aos modelos já estabelecidos, como o surrealismo aos modelos antigo-medieval (não há mais uma originalidade na obra, mas uma “junção” de estilos que já foram feitos). E, por último, aborda o problema do que chamaremos de “des-objetificação” da arte, o qual o processo de racionalização nos permitiu chegar.

Segundo Arthur Danto, a história da arte tenta forjar uma continuidade que não existe. A história da arte, nessa visão, começa depois de 1.400 com a conscientização de que fazemos arte, por lhe atribuirmos uma conceitualização. Antes disso, a arte teria um caráter contextual ou natural (período que tendemos retornar por sua atual falta conceitual).

O período antigo e medieval, representado pelas artes Sacras e religiosas, as quais exerciam sentido prático na vida das pessoas, sustentavam um modelo que garantia uma tranqüilidade na noção do conceito arte. Já o moderno, começa a chamar atenção para o que seja a arte, tornando-a uma arte formalista, inserida numa progressão narrativa. Tal necessidade foi sendo racionalizada aos poucos, onde acabamos afastando o objeto como atração natural para elevá-lo em uma perspectiva teórica. Um exemplo disso pode ser encontrado em Duchamp, onde sua obra, A fonte, representa uma idéia artística com a utilização de um objeto não artístico; o mesmo pode vir a ser um bem comum se tirado de seu contexto de exposição que gerou a noção de sua arte. É baseado nessa perspectiva que o autor afirma a inexistência de um objeto que defina, exemplifique, de maneira a trazer à tona o objeto artístico; mas o que a convenção, a teoria, a explicação postula é o predominante no que nos é apercebido.

Parabéns Gustavo!

O grupo Arte, Sentindo e História parabeniza Gustavo Benetti pela defesa da dissertação no Programa de Pós Graduação em História da Universidade de Passo Fundo.

Acreditamos que seu trabalho será de grande contribuição para área da História da Música do Rio Grande do Sul.

Convite

Olá Pessoal!

Gostaríamos de comunicar, que nesta sexta-feira, dia 25/03/2011, nosso caro colega Gustavo Benetti, estará defendendo sua dissertação de mestrado. Trabalho intitulado "Ruptura e regionalismos: o modernismo musical no Rio Grande do Sul (1926 - 1945)", o qual foi orientado pelo Prof. Dr Gerson Luís Trombetta.
Será às14:00 horas, no prédio do IFCH.

Para quem se interessar... fica ai o convite.

O problema da história museológica da arte

Merda d'artista, Piero Manzoni.
Uma das formas de fazermos história da arte é claramente por meio dos museus, abrigo de objetos de diferentes estilos e épocas. Porém, se formos levados para este caminho nos deparamos com um grande problema: o estudo museológico credita o que é ou não arte e exclui artistas que possuem qualidades tão boas ou melhores quanto às obras consagradas. Essas peças de museus nem sempre podem ser um bom parâmetro para pensarmos em qualidade artística e estética. Mas afinal, quem é que escolhe quando uma arte é boa ou não? Qual é e onde está seu edital de seleção?

Não precisamos pensar nisso agora, afinal de contas o problema maior não está em quem merece ou não ter suas obras consagradas e disponíveis como um “patrimônio público”; o que mais perturba é como esta escolha é decisiva para construirmos uma história da arte e conseqüentemente uma concepção de arte. Aqueles que não se enquadrarem nesse modelo, ou passarem despercebidos serão automaticamente descaracterizados e marginalizados. Por outro lado, aqueles que de fato são artistas, e já estão com suas necessidades básicas supridas, continuarão criando e buscando na arte, independente de reconhecimento, o que faz parte também de suas vidas. Estes são todos os artistas (bem lembrado e questionado pelo nosso pesquisador Tarso) que ficam às escuras, não sós, mas apenas com sua arte.

Quando pensamos nesse papel dos museus para a sociedade é inevitável um paradoxo. Ao mesmo tempo em que os museus cedem um espaço para que uma obra esteja à disposição do povo, ela nunca está para o povo (no sentido de compreensão e de acesso). O que poderia nos aproximar da arte é então aquilo que nos afasta?

Muito das “artes museológicas” que nos referimos, não contém no objeto o prazer de sua graça. O ato pode ser artístico, a brincadeira e intenção validadas como arte, mas, fora desse contexto, “uma pedra costuma ser sempre uma pedra”. Mas uma pedra bem expressa e no contexto oportuno hoje pode valer por ouro. É o caso da lata de merda vendida por milhares de dólares para seus colecionadores de arte. Como dizia Goodman: “A pedra normalmente não é nenhuma obra de arte enquanto está na garagem, mas pode ser tal quando exposta num museu de arte”. (GOODMAN, Nelson. Modos de fazer mundos, p. 114)

Alguns cercos que criamos, e chamamos de sociedade cultural, acabam voltando-se rapidamente contra nós mesmos. Muitas vezes a única saída é realmente criarmos tais cercos, ou não faríamos história; mas se a história não pode atingir o povo, talvez ela seja uma meia história. Essa “parte” contada têm em si um potencial determinante na compreensão de nossos dias, disso não duvidamos, mas a história da arte através dos museus não é somente uma “parte” ingênua, muitas vezes parece ser soberana, louca, outrora dominadora.


Referências:

GOODMAN, Nelson. Modos de fazer mundos, Trad. de António Duarte, Portugal: Edições Asa. 1995



Na recente sessão do dia 05 de Janeiro, novas sugestões de estudos foram expostas, visando dar seguimento á pesquisa, porém.. com algumas diferenças em relação aquilo que vinhamos abordando. A idéia principal gira agora, em torno do terceiro elemento que constitui a base de nossas pesquisas, ou seja, história da arte. Abaixo algumas alternativas (em aberto) ligadas ao tema a serem consideradas, para leituras e investigações sequentes:


P1 - Estudo ao estilo tradicional descritivo - por épocas;


P2 - Analise da idéia de história da arte - "historicidade"da arte;


P3 - Investigar o movimento histórico da arte partindo de zonas ou regiões de atrito;


P4 - "Mistureba" - um pouco de tudo;


Lembrete: próxima sessão do grupo será no ateliê da Ester, dia 12 de Janeiro. Teremos a exibição de um documentário relacionado ao tema escolhido.


Ps: ouvi boatos de que além do documentário, haverá torta de limão da Bárbara, sorteio de quadros e filtro com borra de café.

Acesse os links abaixo, para ver entrevista com integrantes do grupo de pesquisa Arte, Sentido e História, exibida dia 09/09/2010 no programa Universidade Aberta do canal UPF-TV.

Parte I

Parte II
Parte III

O que é o que é?



O que é o que é?


...não é arte, mas seu fruto.
Um resíduo da própria mãe, abandonado.
Não é a estrada,
mas está em toda parte!
com ou sem valor?

Talvez não seja uma palavra,
mas devemos dizê-la!
Oh, saga, dessas pobres partes
Que perderam seu glamour!

Seria o Kitsch, esse coitado?
Que, segundo o Tarso:
- é desalmado!
Algo alienante, que corrompe
ao condenar a alma
daqueles que imitam
um gosto que não possuem?

Já que falamos desse impertinente...
Quisera o Gerson, nosso regente, que a estrada
solitária que a vanguarda abre
não entulhasse mais
do que...bibelôs?.....
Quiçá um santinho Kitsch,
num ritual sublime, pudesse
dotar-se de valor.
Se assim for, não busquemos
mais a sua face,
e sim,
as evidências que deixou.

Ele é, mas não é,
pois engana!
O que faz com
que o percebamos,
se não for, como a esquerda clama,
um produto do contexto?

Sinta-se aliviada, cara Bárbara.
Parte da charada tu
Venceste.
AVANCE DUAS CASAS!

Viste? (o QUÊ?)
− A rima também pode ser kitsch!
Se eu falar que é tudo
culpa da RobERTA,
Terei que terminar com
uma frase incERTA?

Ah, vai...
Dorme em paz, pequenino
Bastardo.
Tua existência é um fato,
E quando vê,
 já nem é mais!





Taciane Sandri de Anhaia

Na última sessão do dia 07 de outubro de 2010, o grupo reuniu-se no prédio do IFCH, para dar continuidade à leitura do texto Vanguarda e Kitsch de Clement Greenberg. Estavam presentes no encontro os pesquisadores: Bárbara, Bruna, Iara, Pasini, Prof. Dr. Francisco, Prof. Dr. Gerson, Ester e Tarso os representantes da “comunidade em geral”.


O Kitsch e a falsa promessa

As discussões da sessão giraram em torno da simultaneidade do surgimento do fenômeno cultural kitsch, às Vanguardas. Considerando que esse tipo de manifestação, encarado por muito tempo como algo natural, merece ser examinado com atenção, visto que o Kitsch de certa forma mostra-se como cultivador da insensibilidade perante valores genuínos da cultura, usando como matéria-prima vis simulacros da mesma, que é a fonte de seus lucros.

De acordo com Caldas (1999, p. 50-51-52), após a revolução industrial, com o capitalismo avançado e a implantação oficial da cultura burguesa, estabeleceu-se um forte desejo de respeitabilidade, ou seja, uma vontade de ascensão social. Isso quer dizer que, os camponeses que se estabeleceram nas cidades, formando a nova classe dominante, desejavam aquilo que a cultura tradicional da cidade oferecia, porém não havendo tempo e conforto suficientes para o desfrute desta, passaram a exigir da sociedade um tipo de cultura mais adequado a seu próprio consumo. Assim, a busca pela instituição de valores próprios subtraiu-se do cidadão, o qual agora aspira por meio do consumo exagerado, a genuinidade que não pode alcançar. Em vista disso o imaginário materializa-se através do objeto adquirido, mas a legitimidade almejada perde-se com obtenção da réplica.


O kitsch finge não exigir nada de seus consumidores além do seu valor de custo. Não causa o mesmo impacto de uma obra de arte, mas procura imitar seus efeitos. Sua presença fabricada finge ser capaz do que na verdade não é. Apesar de não possuir aura, tem propriedade de democratizar o gosto sem engrandecer o desejado, ou seja, o original. Clement Greenberg (2001, p. 32) afirma que “o kitsch é mecânico e funciona mediante fórmulas. O kitsch é experiência por procuração e sensações falsificadas”. Isto é, o kitsch imita os efeitos da arte, mostrando-se como a transfiguração de uma característica estética. A falsidade de sua promessa efetiva-se no não cumprimento da mesma.

Deste modo, o kitsch diferencia-se da obra de arte porque, com o passar do tempo, produz um efeito apaziguante, que acomoda o espectador, cumprindo com a expectativa do gosto fácil. Já a obra de arte é de qualidade inquietante, perturbadora, está sempre nos convidando para um novo desafio, um novo olhar. Conforme Berger (1999, p. 21-22), ao vermos a imagem da Monalisa reproduzida em uma camiseta, temos a impressão de que a unicidade da imagem dilui-se e seu significado muda, multiplicando-se e fragmentando-se em muitos outros significados. Apesar de todas essas distorções do original, a pintura verdadeira continua em certo sentido, sendo única. O que nos impressiona não é mais o que a imagem representa, mas sim o fato de ser o original de uma reprodução.


Sobre a existência de uma tradição Kitsch

Questões em torno do surgimento do kitsch levam-nos a questionar se não haveria uma possibilidade de tradição “Kitschiana”. A semelhança de algumas manifestações da antiguidade, em comparação com manifestações ditas pós-modernas, não justificaria ousar considerá-los participantes deste mesmo fenômeno. Os produtos de épocas pré-capitalistas eram criados para única finalidade, ou seja, a escala de reprodução em massa não existia e somente a aristocracia era possuidora de determinados produtos, como por exemplo, as obras de arte. Segundo Berger (1999, p. 85-92), ao se comprar uma pintura, adquiria-se também a aparência daquilo que ela representava. Tal aquisição refletia a própria nobreza do comprador. As obras de arte celebravam a riqueza; a própria pintura era capaz de demonstrar o quanto era desejável o que o dinheiro podia comprar. Havia uma honestidade na obtenção das coisas, pois o acesso era bastante restrito.



Podemos supor que o kitsch toma para si valores de uma tradição cultural privilegiada, mas em sua estrutura não possui uma tradição. Sua aparição concretiza-se somente quando há possibilidade de compra, de obter um objeto semelhante ao original. E isso ocorre na era capitalista, com o advento da indústria cultural. O kitsch se constitui em elemento acessível, sendo produto de fácil obtenção, encontrando-se ao alcance de todos e não mais, apenas por uma parcela elitizada da sociedade.


Há uma cultura Kitsch original?

É possível o kitsch ser algo original? Apesar de se traduzir como a cópia ou imitação quase grotesca de um original, nem todo produto kitsch mostra-se desprovido de valor. O kitsch pode ser considerado como algo original, possuindo, em certos casos, um autêntico sabor popular. São os exemplos do altar do candomblé, dos santos de umbanda, expressões que usam de objetos para representar entidades. Apesar dos objetos serem em sua forma aparentemente vazios de significado, neles são depositadas forças, cargas simbólicas que lhe atribuem sentidos. Sua aura é criada e reforçada na prática do ritual.



Referências

BERGER, John. Modos de ver. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

CALDAS, Waldenyr. Uma utopia do gosto. São Paulo: Brasiliense, 1999.

GREENBERG, Clement. Vanguarda e kitsch. In: GREENBERG, Clement et al. Clement Greenberg e o debate crítico. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. p. 27 – 43.

Quem somos

O grupo de estudos "Arte, Sentido & História" é constituido pelo orientador Prof. Dr. em Filosofia Gerson Luís Trombetta; pelos bolsistas: PIBIC/UPF Alessandra Vieira; PIBIC/CNPq Bruna de Oliveira Bortolini; FAPERGS Taciane Sandri Anhaia; e demais integrantes: Aline Bouvié, Amanda Winter, Ana Karoline, Bárbara Araldi Tortato, Daniel Confortin, Edynei Vale, Ester Basso, Fabiana Beltrami, Fernanda Costa, Prof. Dr. em Filosofia Francisco Fianco, Guto Pasini, Iara Kirchner, Jéssica Bernardi, Leonel Castellani, Maikon Ubertti, Marceli Becker, Marciana Zambillo, Roberta del Bene e Tarso Heckler.

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